segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

PARANÓIA/MISTIFICAÇÃO

Pra se ler ao som de “Sprout and the Bean” (Joanna Newson), a coisa mais surreal que ouço no momento...

Felipe comprou um carro – Van Gogh cortou uma das orelhas.
Elvira comprou mais um carro – Nietzsche morreu num manicômio.
Luís usa belos ternos – Picasso pintava realidades em cubos.
Indira comprou outro carro – Napoleão queria ter o mundo.
Pacífico leiloou algumas de suas ilhas – Nero, tocando harpa, ateou fogo em Roma.
Rita comprou um carro importado – Kerouac tinha esquizofrenia.

Fran ganhou diplomas...
E Josef Hassid foi lobomotizado,
morreu jovem, ninguém o ouviu...
(este tocando o “Humoreske Op.101 nº 7”, de Dvorak...)

Adão tinha uma namorada
e mais outra
uma não sabia da outra;
então ele tinha mais outra...
e mais uma...
uma, duas, três namoradas...
Nenhuma delas ouviu falar em Nise da Silveira.

Talvez nem eu...

Paranóia ou Mistificação ?!

(Freud, Lacan, Foucault...)

E Aladin devora lagostas e caviar num caro restaurante...

Eu, então, envolcro num manto feito por Bispo de Rosário,
capa cor de estrela, cheiro de mar,
do lilás da violeta, do ânis anil do suicídio...

escondendo-se em qualquer loucura
buscando minha chaga, ferida, corte-cura
talhando a própria cicatriz que risca meu mapa, meu corpo...
nunca, nunca me entregando às garras do comum instituído
jamais sendo absorvido por sistemas, anátema ou silogismo-pragmático

quero a insana que asanha e roça a boca perene !!!!

não ambiciono jamais a roupa nova que me fará gente,
quero sim a indulgência que me fará vil, me fará rei !
quero o par de asas ou o alado cavalo que me fará voar
na “new canción de Mutantes”,
quero, calado, a majestade magnífica de ser o que sou...
sem Deus ou prognósticos,
sem tratados que destratam,
sem a imposição do normal...
não quero vencer num mundo em que todos vencem
e muitos perdem,
num mundo onde a fome prevalece ao tal amor-outrem
não quero que meu ontem seja apenas nostálgico e distantes,
antes que o futuro não venham,
que não covenha um mundo de loucura patológica...

Quero esta maluquice de ser esquisito,
de mostrar minha língua e ver curvas no universo
quero a pequenez de saber-se gigante
mesmo encolhido, mesmo frágil, mesmo cristal...
e poder ter poderes de poder,
destroçar quaisquer parede que impeçam,
ir quando o vento diz o contrário,
ser a pedra que separa o rio,
ainda que sendo cocégas no grande ato capital:

não quero a obrigatoriedade do ser !!!!

Um comentário:

Germano Xavier disse...

De pé...

Plac, Plac, Plac.

Você é grande, professor.
Abraço forte.
Continuemos...