segunda-feira, 28 de março de 2011

CULTO OCULTO

“Por um segundo/ Num sorriso teu/ Fez-se festa infinita em minha vida...” (Gonzaguinha)

Ela curte Rimbaud,
Ela se liga em Bob Dylan,
Ela ama e odeia Caetano,
Ela é o colorir do preto-e-branco de minha vida,
Ela é a lira disto tudo,
Ela é meu exagero, minha paixão regrada...
Ela é o vírus do qual sou imune,
Ela é a doença que me cura,
Ela é o coro dum oráculo,
Ela é só ela, na dela,
costela originária do nada,
nado em meu id escancarado,
escarro que antecede beijos,
O Pequeno Príncipe que nunca li,
som uníssono que não ouvi,
ou vi,
bem-te-vi,
bem vinda...

Ela é o que a mãe não pode saber,
a mão do sábio que guiará estrelas,
Ela curte buracos negros, quer ser sugada por eles...
é reles flor do meu campo, um espinho da rosa
Ela é a glosa que me define, minha senha, segredo código...
xifópagos pródigos, duas faces, moedas do meu ser...
uma pessoa em dois...

e num culto oculto,
digo, na voracidade desta pitonisa,
a oração que ela declama
é chama, fogo que faz renascer Fênix - uma musa errante,
a palavra que me alimenta.

Um comentário:

Diego Socrates Dias Mousine disse...

Essa superou.
Ficou muito massa.