sábado, 15 de janeiro de 2011

MANJADA

O amor ri de mim...
o amor zomba de mim...
o amor joga bexiga d’água em mim...
o amor urina em meu corpo,
cospe no meu rosto, queima minha pele,
fura meus olhos...

o amor me faz de besta,
o amor me renega
o amor nem rega minhas flores,
o amor me vigia pelas frestas,
o amor quer me morder...

o amor azeda meu manjar,
o amor me ofende de forma manjada
o amor denigre meu ser, me violenta
viola minha moral, rememora velhos traumas...

o amor gangrena minhas chagas,
cutuca minha ferida,
tira minhas roupas em praça pública,
me xinga e me força andar no trem-fantasma...

o amor me tortura, não atura meus prazeres
o amor me castiga, me instiga
o amor me dá azar, me entedia, me empurra...

o amor, tão simplesmente,
é manchete de pasquim, é página policial,
noticiário de terremoto na TV,
destino de vilão de novela,
a inflação, a queda da Bolsa, a epidemia de resfriado...

o amor é chato, enfadonho,
aquele que sempre reclama,
a dor de dente no final da tarde...
a sede que não passa, o passo que engata...
o amor é o que fere, dá febre, o que mata...

o amor é o ódio que sinto por não amar...

2 comentários:

cris belier disse...

O amor é o efeito colateral de um remédio que não existe.
Carpe diem!

Diego Socrates Dias Mousine disse...

Esse poeta está sofrendo por amor.