sábado, 19 de abril de 2008

POEMA

"...Não te aconselho o amor. O amor é fácil e triste. Não se ama no amor, senão o seu próximo findar. Eis o que somos: o nosso tédio de ser..." (Ferreira Gullar)

És meu irmão,
és meu amigo,
és minha namorada,
és meu confidente,
és a foda perfeita,
és meu vinho,
és meu "cão engarrafado", poema !
És íntima, és notável
és única, és anti-depressiva
és segredo,
és número,
és cabala, poema !

És condutor, és princípio,
és linguagem,
és céu,
és minha companheira,
és meu abrigo, és meu aborto,
és meu canto, poema !
De tudo és tudo -
a lágrima, a folha, o caminho reverenciado,
a ficante, o extasy, o fim... poema !

Os beijos que quero, viva a vida que briga !

Poema, não me abandones...
Poema, prostituta que me permites o repouso em teu seio, colegial que deixais ver a calcinha, mãe do colo, ama-de-leite...
Meu consolo, meu solo, minha pose,
meu nome,
poema !

(2004)

Um comentário:

Germano V. Xavier disse...

Que ode ao poema é essa, professor!
Rapaz, fiquei sem perna agora...

Mateus, obrigado pelo depoimento que você fez lá no orkut.
Você é sem palavras, meu caro!

Abraço forte!

Germano