quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

POEMA - SAMBA DE CARNAVAL

Quem sabe eu me mate na quarta-feira de cinzas.
Na quarta-feira de cinzas eu me mate, quem sabe...
Talvez assim acabe esta minha sina,
ou minha sina, esta assim, talvez se acabe...

Ou talvez a vida aglutina,
quem sabe ela estanca...
Quiça após o lança e a afetamina
um deus que não dança, dança !

E folião que sou, entrando em qualquer farra.
A fanfarra passa, despassa e compassa...
A chuva que trouxe o gris da madrugada,
ventou por um triz, e do nada,
trouxe-me você e a dúvida danada.

Aí o bloco também se foi,
o boi, tempo de minhas avós, voou, voar...
E um dia o pierrot conquistou mil colombinas,
sabendo que também é sua sina
na quarta-feira de todas as cinzas,
também sua morte proclamar

3 comentários:

Anônimo disse...

O diáfano como fim, o efêmero como resultado, a trágica história de um histórico passado. Que belo poema, mestre! A certeza de que um dia algo acaba, assim, aligeramente, passando. Muita força! Abraço, Germano!

Já tenho um BLOG. Que faço agora??? disse...

Dançante seu poema

Germano V. Xavier disse...

Cadê você, poeta?