quarta-feira, 5 de março de 2008

ONÍRICO BEM AMAR

Pé, unha encravada
de tanto caminhar em tua paz...

unha suja
cheia de pus;

então pus sua mão na minha
e senti a força
da lira que canta cordel
de Zabé da loca
de Garcia Lorca...
Do sol resplandecente numa nuvem cósmica,
desta coisa atômica que explodiu em meu peito,
do seu jeito, do seu ajeitar
coisa mansa
coisa manca
manga do pé...

Do alaranjar na Ave-Maria,
das aves que voam e cortam nuvens,
gravando imagens no lago cristalino de minhas retinas tortas:

Eu e você na quermesse...
Eu e você detrás da igreja, na hora da missa
Eu e você na procissão
Eu e você em qualquer canto que caiba
Eu e você, sabiá...

Amor mor
Amor morro
Amor morte (Eros/Thanatos)
Amor tanto
Amor tato
Amor contato, sem tato,
Amor de sentir, de beijar, platônico, sei - não sei
Amor que nem tá aqui,
Amor dali
Amor acolá
Amor que cola, gruda, amor bonitinho...

de tanto caminhar por tua paz
sujei o carpete de minha casa,
imaculei minha alma de suas profanações,
declarei-me seu, nada mais...

aí dormir
no onírico bem amar,
estágio bom
ágio tom
um toque mágico
fluído, hermético, dialético, e tantas palavras difíceis...

Tudo de mais bonito pra decifrar este amor
esta caminhada pelo monumento de seu corpo,
pelo gozo do esquecimento,
pela glória da lembrança,
o bucolismo de sua chegada
e a certeza que você sempre estará lá...

Um comentário:

Germano V. Xavier disse...

E essa pessoa dentro do poeta, que também fala voz forte, porque o poeta é antes o humano, antes o homem, e o humano quer, almeja, precisa... dor de ser humano, de ser vivo, pois morte não há pra quem sabe a viva esfera de amar...

Grande Mateus...

Muito bom!