quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

CABEDAL BLUES

“Passado, presente, participo sendo o mistério do planeta...” (Novos Baianos)

Poucos olhos que me flertam.
Tantos olhos que me buscam,
e eu buscando apenas um olhar para me olhar.

Tantas mãos que apedrejam,
algumas mãos que perdoam;
tatos que me tocam,
toques que mantém contato.

Muitos poemas parecidos,
alguns lidos, outros esquecidos...
Poema démodé
poemas deja vú
poema singular
poema de engolir
poema pra deglutir
um cabedal blues
bem azul
sem azuis
azuladinho...

Muralhas desviadas,
rios atravessados
que nunca mais será o mesmo rio...
desafios afios
a vida tem-se que enfrentar
levando a vida
lavando a vida
ávida-grávida-vida

Enfim, o fim,
afinco,
fincando palavras na mente,
criando demências ou profecias
vago caminho em busca duma busca
brusca
e contada num segredo leve.

(2007)

Um comentário:

Germano V. Xavier disse...

A construção imagética talvez seja sua maior arma poética, professor. São surpreendentemente mágicas, porém remetente ao real. É como se a jugular descesse ao estômago desejando cavar ó último nutriente da vida para, desse modo, possuir força para gritar ao mundo óperas cortantes...

Sempre por aqui,

Germano