segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

VIM, VI E VENCI.

Não é a toa que a chamavam dos piores nomes. Por motivo algum poderiam caluniá-la, porem. Pessoa de bem, de respeito. Tinha nome de santa e carregava o demônio dentro de si: sete meses incompleto de gestação. Fizera amor com o homem que quis, frisava ferozmente. Gostava da lua e de música. Comprara uma flauta, mas nunca aprendeu uma nota sequer. Marcava no calendário os dias de completar quinze anos. Mas não tinha mais quinze anos, aliás nunca os tivera. As idades passavam pelas rugas, pela decadência, pela impotência, por nada. O nada é um bilhão de amebas cruas. Entrava de roupa no chuveiro, talvez vergonha do corpo, talvez a devassidão de ver-se oculta. O nada é um bilhão de amebas cruas. Tinha ex-namorados, o que considerava péssimo. Achava carregado demais o termo “ex”, prefira esquecê-los. Escutava o Para Elisa, de Beethoven, e tinha dias que chorava, noutros não. Todos são assim. O nada é um bilhão de amebas cruas.

(2007)

6 comentários:

Germano V. Xavier disse...

Surreal, Mateus.
Gosto desse estilo textual... relatos perfurantes...
Gostei da metáfora: "O nada é um bilhão de amebas cruas".

Parabéns, meu caro!
Continue mandando brasa!!!

Mateus Dourado disse...

Pois é, doidêra né...
Mas eu tb curti. E aí a pergunta: como seria "um bilhão de amebas cruas" ?! A resposta é... nada !!!!
Eu achei q este poema soou meio The Doors, concorda ?!

Abraços !!!

Anônimo disse...

Deveras, meu amigo!
Ao tempo que soa meio que xamânico, abre "as portas da percepção"...

Abraços, mestre!

Germano

Germano V. Xavier disse...

Mateus, esse título é um bordão romano, não é?

Germano V. Xavier disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mateus Dourado disse...

É sim, meu caro Germano...

Se não me engano foi Julio César q falou isto...

Valeu man !!!