sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

TEMPO AO TEMPO

“Não é difícil de comparar/ Nosso cérebro com a castanha do Pará...” (Movéis Coloniais de Acaju)

Às vezes só quero uma voz dizendo “vá !”,
só desejo um silêncio para calar estas vozes que estão em mim.
um pássaro rasgado
inventa de voar
no meu ar, neste ar tão cheio do vazio deste corpo...
e então desvendo palavras e patavinas,
ouço o zumbido deste eco,
da consciência que rumina minha mente
ou da mentira por onde desvio o fio...

Dou tempo ao tempo
do tempo,
mas ainda haverá tempo
para tudo temperar ?
Temperatura, a altura
mista da visão embaçada
e o encosto que assombra e dá aconchego.

Aí chego ao fim
e vem o enjôo da chegada:
reinvento um novo ir
e caminho para onde os relógios viciem
nalgum ácido
e descumpra a ordem
de sempre
ir.

(2007)

Um comentário:

Germano V. Xavier disse...

A poética de Mateus é líquida e fluida como o éter mais volátil. A capacidade de alicerçar andaimes internos e redescobrir-se homem e passível de erros é uma arma que projeta e o projeta ao universo dos bons.

Sem palavras, meu amigo.
Você sempre se superando...

Grande abraço e muita força aí...