sábado, 23 de fevereiro de 2008

FEITO PRA ADÉLIA PRADO

Quero um amor
de encarar nos olhos,
destes que não desviam olhar
um amor de olhar...
Quero um amor destes de propôr fugas,
destes de dizer "me espera..."
"sim, te espero !", "me espera mesmo..."
"sim,sim, te espero..."
E aí, mesmo que se passem vinte anos,
vinte frondosos anos,
mesmo que se passem os tempos de explodirem as estrelas,
mesmo assim
estará ela
no local marcado,
vestida de verde e laços,
tão maquilada e feliz...

Quero um amor de gravar iniciais em árvores
ou em cimentos frescos que serão eternos,
quero dedicar poemas e líricas,
de amor feinho, confeito, pro Zé
feito pra Adélia Prado
feito pro amor
feito pra amar memorial
amar marmóreo
amar caducamente
feito pro amor de um soninho...

Quero um amor simples,
quero uma mulher com rosto de esposa,
rosto simples, rosto de mãe...
Quero um amor que me faça vagar,
que me faça sumir, sublimar, abstrair, crescer menino
um amor que se confunda com as luas,
um amor das ruas e das rimas facéis,
amor perdido, amor com gosto de feijão com arroz

Um amor pra dizer é meu
um amor pra ser só seu
um amor que conflita meu eu
um amor e milhares de adeus,
um amor do céu
um amor de anjinhos
um amor que queima brasas
amor de criar asas
amor de amar, amor de mar, amor demais...

(2007)

Um comentário:

Germano V. Xavier disse...

E esse querer que é tanto e ainda tão pouco diante de tão imenso querer... o poeta se preme, sulca-se, esforça-se, encontra-se no não encontrar, eterno amante do desejo. E o desejo é força e arma, guilhotina que ceifa, o punhal que escreve e mata!

Grande mestre, você é demais!!!

Abraço amigo!

Germano